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Políticas Públicas

20/12/2017




Inclusão de hospitais psiquiátricos na RAPS é retrocesso  

O que é a loucura? De onde se origina a loucura?

Há séculos que pensadores, filósofos, psicólogos, psiquiatras e enfermeiros, entre outros profissionais, se questionam sobre essa questão. E temos hoje uma gama de conhecimento científico para responder a essas indagações, produzidas pelas mais diferentes áreas do conhecimento humano.

Por séculos esses sujeitos chamados de “loucos” foram jogados em masmorras manicomiais, afastados de suas famílias e da convivência da sociedade, foram torturados e assassinados. Os dados disponíveis apenas no Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, estimam que 60 mil pessoas foram mortas naquele manicômio.

Como as estatísticas apresentadas por outros hospitais psiquiátricos no Brasil e no mundo não são muito diferentes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se manifestou por um novo modelo de atendimento em saúde mental com base comunitária. Segundo o “Relatório Mundial da Saúde: Saúde Mental – Nova Concepção, Nova Esperança”, de 2011, os países devem substituir os hospitais psiquiátricos por serviços de cuidado na comunidade.

Assim, se faz necessário que, cada vez mais, os governos direcionem o financiamento em saúde mental para os serviços de base comunitária, como são os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em detrimento de hospitais psiquiátricos. Segundo o Ministério da Saúde, cidades que possuem CAPS têm 14% a menos de suicídios entre as populações em situação de sofrimento psíquico.

O Conselho Regional de Psicologia recomenda que se aumente o investimento em leitos psiquiátricos dos hospitais gerais, principalmente para as populações infanto-juvenis. É necessário ter espaços de internação para quando essa medida se fizer necessária, mas não em hospitais psiquiátricos.

Voltar a financiar hospitais psiquiátricos na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), portanto, como determinou o Ministério da Saúde na semana passada, é retroceder na história, é ir contrário ao acúmulo científico dos últimos 30 anos e ir contra o cenário internacional, que cada vez mais aposta nas internações psiquiátricas em hospitais gerais.

 

Artigo de Manuele Monttanari Araldi, presidente da Comissão de Políticas Públicas do CRPRS, publicado no jornal Zero Hora em 19/12/2017. Clique para visualizar o PDF da publicação impressa.

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