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Educação

Debate sobre a Psicologia e Educação.

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Entrevista com Cleci Maraschin

Por: Entrelinhas, edição 45 Em: 10/03/2009

Como avalias a interação da Psicologia com a Educação?
As relações entre a Psicologia e a Educação não são nem lineares nem estáveis. Estudos historiográficos têm mostrado que a gênese da escola de massas, baseada fundamentalmente na disciplinarização de corpos e de conteúdos, tem uma grande relação com a distinção das etapas da infância e da adolescência. Fala-se mesmo de uma invenção da infância pela escola. Podemos pensar que a partir da separação dos alunos por idades, e das séries por conteúdos, foi possível estabelecer uma Psicologia diferencial e do desenvolvimento. E mais, que essa Psicologia nascente também trouxe efeitos educativos ao justificar que tipo de atividades eram mais propícias em tal idade. Tanto a Psicologia quanto a Educação são campos heterogêneos que se modulam reciprocamente. Existem modalidades de interação pontuais. Por exemplo, a educação tradicional e a Psicologia behaviorista compartilham posições epistemológicas semelhantes. Assistimos a uma articulação entre os defensores da escola nova com o construtivismo piagetiano e com a psicanálise. Os teóricos críticos reprodutivistas conversam mais com a Psicologia sócio-histórica, assim como os debates atuais da educação como o multiculturalismo, os estudos culturais e de gênero encontram espaços em proposições da Psicologia social. Mas embora possamos mapear certas reciprocidades que se estabeleceram entre modelos de educação e teorias psicológicas, cabe ressaltar que ambos os campos estão em contínua transformação, sendo possível encontrar interfaces novas contendo releituras e interações inusitadas.

Qual a tua opinião sobre a atuação dos psicólogos nas escolas?
Se as relações entre a Psicologia e a educação constituem interfaces distintas e passíveis de criação, a atuação do psicólogo nas escolas não se resume a estar munido de instrumentais teóricos e metodológicos. Embora sejam necessários, não são, entretanto, suficientes. O trabalho do psicólogo diante da diversidade dos campos em interação deve necessariamente estar pautado por uma discussão ética e política de sua intervenção. É necessário que se pergunte a que leva seu trabalho? Trabalhamos para quê? E com quem? Que modo de viver estamos ajudando a estabelecer nas escolas? Que modos de trabalhar estamos viabilizando? Que tipo de relações estamos apostando? Sem se refazer constantemente essas questões, podemos estar executando um trabalho técnico, sendo funcionários exemplares de teorias e de metodologias, mas também, talvez, ajudando a consolidar modalidades competitivas, excludentes, racistas e sexistas...

Como essa intervenção dos psicólogos poderia ser mais eficiente?
Primeiro devemos perguntar eficiência para que ou para quem? Não sei se trata-se de eficiência, mas da constante revisão crítica da proposição e da sustentação de um trabalho que implica assumir uma posição epistemológica dentro de um campo teórico-metodológico, mas como afirmamos acima, também uma posição ética e política. Creio que o psicólogo necessita pensar-se como parte de um coletivo-educador. As intervenções que possa realizar não possuem efeitos somente nos sujeitos como individualidades com uma história, mas também no devir-sujeito. Além disso, incidem no coletivo, ampliando ou restringindo a potência auto-produtiva desse mesmo coletivo. Através de nossas proposições atualizamos caminhos criadores de sujeitos e de mundos, entre os quais se encontra o próprio sujeito-psicólogo.

Qual a importância da mobilização dos psicólogos na proposição de projetos que incluem a psicologia na educação?
Penso que não se trata de um trabalho na educação, mas sim com a educação. Não podemos pensar a educação como um campo de aplicação dos conhecimentos psicológicos. O trabalho com a educação implica uma parceria na proposição desses projetos. Um desafio do trabalho é constituir redes de conversação na qual possamos conviver e constituir o que chamei de coletivos-educadores. Modos de trabalhar, nos quais seja possível operar e propor projetos de modo mais interdisciplinar, sendo que as atividades não sejam atribuídas somente a partir de especialismos, mas a partir de princípios e de políticas coletivas.

Como avalias a realização do Seminário Regional do Ano da Educação?
Creio que o seminário pode se constituir em um momento de reflexão, de problematização de representações e de ações um tanto já naturalizadas na relação entre a psicologia e a educação. Um exemplo disso é tomar a educação como sinônimo de escolaridade. Existem práticas educativas disseminadas em vários dispositivos sociais. A mídia, por exemplo, é uma prática educativa contemporânea talvez tão importante quanto a escola. As ONGs, os vários projetos de educação em sentido ampliado, também são territórios educativos a se pensar. Outro resultado que talvez possa ser atingido com o seminário é poder iniciar um mapeamento das experiências de psicólogos que trabalham com diferentes dispositivos educacionais. Uma expectativa é poder organizar uma pauta de temas e ações que possam ser tomadas como metas para os próximos anos. Mas talvez a mais importante seja a de abrir redes de conversação com outros educadores, em sentido amplo, na proposição de projetos compartilhados, saindo de uma lógica corporativa que pensa primeiro na garantia da fatia de um trabalho que é visto somente na ótica do mercado.

*Cleci Maraschin é psicóloga, professora associada do Instituto de Psicologia da Ufrgs, docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional.


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